PEREGRINAÇÃO A FÁTIMA



PEREGRINAÇÃO A FÁTIMA ETAPA 2 PAVIA-MORA

Na praça com coreto da banda de música, num banco público preparei os meus pés com fita esparadrapo, já com o café da manhã tomado. Passou por mim a funcionária da junta de freguesia que me desejou uma boa viagem e pede a proteção da Virgem de Fátima em todo o meu caminho. Saí para fora da vila e segui pela estrada 351. Sabia que a antiga linha férrea estava paralela à estrada mas não conseguia encontra-la, quando um bando de coelhos a fugir para as suas tocas me desviou o olhar, notei que bem junto à estrada estava um pequeno pontão em pedra, ai percebi que era a indício claro do caminho-de-ferro somente que os eucaliptos como uma praga estavam já há alguns anos a invadir o traçado plano da antiga via do ramal. Poucos foram os momentos que consegui utiliza-la, pois tornaram quase intransitável. Mais tarde soube que o projeto da ecovia está estagnado devido à debilidade política da autarquia e a latifundiários ladrões terem usurpado a propriedade pública que a via atravessava. A paisagem predominantemente de sobreiros e a fauna de caça surgia esporadicamente, perdizes, bombos bravos, lebres e imensos coelhos. Valeu bravos a foto que tirei numa ribeira a um cágado (pequena tartaruga) e uma parte da via-férrea já perto do Fluviário de Mora e do Parque Ambiental. Após ter passado o apeadeiro de Cabeção, aproveitei para ir colhendo espargos trigueiros (verdes selvagens) pelos campos, ao chegar à entrada da sede de concelho, um ancião ofereceu-me mais uns quantos!
No quartel dos bombeiros voluntários selei a minha credencial, mas como estavam em obras não pude-me alojar, fui à junta d e freguesia e me disseram, que a Câmara Municipal de mora tinha cedido o pavilhão da Casa do Povo para um grupo de mais ou menos setenta peregrinos que vinham de Évora e de Arraiolos. Falei com alguns que se mostraram cautelosos, até mesmo um padre missionário do Preciosíssimo Sangue, somos da mesma Família de Deus, e mesmo assim a hospitalidade e obra de misericórdia de dar abrigo aos peregrinos põe as pessoas de sobreaviso, graças a Deus que o meu pároco os ia nessa noite visitar, que eu tinha credencial de peregrino e sobretudo conhecia algumas pessoas do tempo de adolescente!
Tudo se resolveu! Reconheci antigos colegas de escola, pessoas que não via há anos, amigos de família e até uma simpática senhora que foi funcionária na escola do meu tempo de guri! Foi uma grande alegria estar no meio de irmãos na fé e ligados à minha infância passada.
Fui à vila e no largo da igreja comprei numa loja de produtos regionais, um rustico pão caseiro a lenha e um queijo curado d ovelha de Borba. Entrei na Casa da Cultura para ir consultar a net e postar as fotos da etapa no blog mas os computadores não tinham entrada para cartões de memória SD. Enfim…Portugal no seu melhor…
Estava cansado uma etapa curta mas estafante porque teve mais asfalto do que esperava…além do mais a 351, dizem que devido às portagens da autoestrada, aumentou o trafego de pesados para cerca de 1000 camiões diários! O que a torna em termos de segurança rodoviária perigosa e obriga a qualquer um a estar sempre alerta.
O grupo ofereceu-me jantar mas só aceitei a sobremesa, já tinha comido no snack-bar dos bombeiros uma fritatta (omelete) de espargos daqueles que tinha apanhado! Os sacerdotes foram visitar e incentivar os seus paroquianos e os enfermeiros do Corpo de Voluntários da Ordem de Malta vieram também para cuidar das mazelas que a etapa fez a todos. Aproveitei para tomar um duche frio e tentei descansar mas acordava com os do peregrinos e também com os meus próprios roncos! Amanhã a etapa ficará mais longa! Com 33 Km para compensar a de hoje que foi bem curta. Mas foi bom ter ficado não em tenda de campismo mas partilhar o mesmo espaço e o mesmo espirito de peregrinação. Ser Igreja é, isto mesmo ser um só coração e um só corpo.

PEREGRINAÇÃO A FÁTIMA 163 Km
Etapa 1 Igrejinha-Pavia 28 Km

Recebi  a Benção do Peregrino na Missa Dominical e Segunda-feira sai do meu 29, a minha casa, tomei o abatanado e carimbaram-me a Credencial de Peregrino no Café do Prates.
Segui pela estrada da cerâmica escoltado por frondosos choupos, de um pau seco dessa arvore fiz meu bordão de peregrino porque é uma madeira muito leve. Passei pela adega da Quinta das Ânforas e segui para a Herdade da Oleirita, saltei a Ribeira do Divor e encontrei a Eco Pista que me conduziu paralelo à ribeira , um percurso lindíssimo com a Primavera a dar cor à paisagem. Estevas de flor amarela, rosmaninho roxo, sargaços com a branco imaculado, as arvores de água eram freixos  verdes e no montado muitas azinheiras e  a sobreiros. As oliveiras antes onde pastavam vacas demasiado curiosas pela minha passagem...
Os moinhos ou azenhas da ribeira estão em  ruinas mas são belos sitios, com algumas pequenas cascatas.Imagino que da serra com sobreiros e rochas da Aldeia da Serra deve-se avistar todo o concelho de Arraiolos lá de cima... O moinho do Arez está restaurado. as pontes  de pedra da antiga linha férrea dão  nobreza à etapa. A Eco Pista termina na antiga estação de comboios de VALE PAIO, a partir dali  deu lugar só à antiga linha férrea com locais bem bucólicos, pena e lamentável ver entulho da pista logo a impedir-me de prosseguir! Saltei vedações, abri e saltei portões, estranho e indignante como latifundiários ladrões tentam tomar posse de propriedade pública!
Tentava chegar antes das cinco da tarde porque presidente da junta de freguesia de Igrejinha, o Sr. Caetano ao ver-me sair da aldeia disse que iria telefonar para o seu colega de Pavia para me arranjarem alojamento. Os últimos 4 Km foram terríveis! tinha tido um percurso lindo e calmo mas a chuva começou e não parou até Pavia! Via ao longe os altos silos de trigo da Epac na estação de Pavia e nunca mais chegava! 
Ao entrar na vila a única porta aberta era uma igreja modesta, entrei e vi a luz do Santíssimo Sacramento, saber que o corpo de Cristo estava no sacrário... aqueceu meu coração pensei...Tu estavas à minha espera ...de porta aberta.
Mais adiante estava a ermida de S. Dinis, um monumento megalítico que se cristianizou de um dólmen funerário para templo dedicado a um santo.
Nos antigos Paços do Concelho de Pavia, entrei no edifício histórico da Junta e carimbei minha credencial. Perguntei se  sabiam de algo para mim e me disseram que sim! Alojaram-me no pequeno Salão Nobre no 1º andar, com ar condicionado! Dormi no chão, mas a meio da noite juntei seis cadeiras e dormi desse modo!
Jantei sopa de grão e espinafres, um naco de pão e um copo de tinto.
Tomei na casa de banho pública, um duche que me aqueceu após aquela chuvada!
Amanhã não irei para o Couço mas só até Mora, depois compensarei a distância!
Pena não ter conseguido ver a Igreja Matriz de S.Paulo que tem um interior que sempre me cativou com seu altar e sacrário em talha dourada.


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